Fotos publicadas na Veja de 6 de fevereiro de 1974 Fotos: Sérgio Jorge

Não. Nada. Não aconteceu nada lá hoje.

Só comigo.

Calhou de eu precisar contar quantas páginas a Veja dedicou à cobertura do incêndio de 1974 – foram 17, 12 só de primorosas fotolegendas na matéria intitulada “O Fogo contra a Cidade”.  Muitas mostram algumas dos quarenta moradores do edifício de 25 andares que simplesmente se atiraram. Olhando agora, em tempos de brigadas de incêndio e bombeiros-Super-Homens, as imagens parecem mórbidas e as quedas livres, decisões estúpidas. Mas em 74, como eram os extintores e quem tinha celular para pedir socorro imediatamente?

Quando eu nasci, o incêndio já tinha completado seus onze anos e já tinha entrado para o rol das  “fábulas da cidade”, das  “histórias que a minha vó conta”,  e daquilo “que aconteceu naquele terreno amaldiçoado”… O edifício, claro, continua lá, na Avenida Nove de Julho. Eu, novata na metrópole, devo ter passado por lá várias vezes e nunca atentei que aquele era o famoso Joelma.

Por isso a gente se sente tentado a ser brega e usar clichês:  a fotografia tem o incrível poder de congelar o momento e e fazê-los (e as sensações que eles trazem) inesquecíveis.

A matéria da Veja está aqui: http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/capa_06021974.shtml

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por Antônio Milena

Trabalhar nem sempre é bom, mas rende umas histórias bacanas para contar aos netinhos. Por exemplo, posso dizer aos meus: “queridos, lembra que a vovó contou que imprimiam textos em papel para as pessoas lerem? Uma dessas coisas impressas se chamava Veja e até 1996 usava fotos também feitas em papel!”.

Os detalhes quem me contou foi o Antônio Milena, um dos fotógrafos mais importantes que a Veja teve na década de 80. Ele descreve a foto como feia e sem cor, sem vida… Mas o seu valor é outro: graças a ela, a Veja foi o único veículo a divulgar, no sábado, a foto da abertura das Olimpíadas de Atlanta que aconteceu na noite anterior! Naquela época, em que se demorava quatro horas entre revelar, ampliar e escolher uma foto e em que se penava para mandar arquivo por e-mail, a capa foi um verdadeiro feito.

Aqui a explicação do Antônio na íntegra:

“Nas Olimpíadas de Atlanta fiz um malabarismo para conseguir fazer a capa que terminou sendo o meu primeiro trabalho com câmera digital e também a primeira foto de capa da Veja com câmera digital. Durante os jogos, copas, olimpíadas, a Canon e a Nikon sempre montam stands, com aparelhos novos, pedindo que os fotógrafos testem. Tinha uma câmera digital da Canon. Na época, ainda não vendiam câmeras digitais aqui no Brasil. Desde que cheguei em Atlanta, pelo horário, sabia que a abertura dos jogos ia ser tarde na sexta-feira à noite. O processo todo de fotografar, revelar, scannear e mandar a foto pela internet ia demorar umas quatro horas. Não ia dar tempo de ser capa. Então uns dois dias antes, conversei com a Canon e pedi a câmera digital emprestada. Testei, aprendi a mexer. Quando chegou a hora da abertura. Fiquei lá posicionado, diz meus clicks e fui correndo até a cabine onde o Eurípedes Alcântara estava esperando, conectado, para mandar as fotos. Estava todo mundo esperando, a redação, a gráfica, umas 40 pessoas. Tudo dependia de mim. Cheguei, entreguei o cartão de memória e desabei no chão! Dei o meu máximo naquele intervalinho do desfile da delegação brasileira. A foto até ficou feia, não tem muita cor. Mas foi um sucesso. Por causa dessa câmera emprestada, a Veja foi a única a dar a foto da abertura dos jogos no sábado.”

Antônio Milena hoje é editor de fotografia de Brasil Econômico.
O site com fotos dele é esse aqui: http://www.antoniomilena.com.br/

Sugestão do Gabriel Falcione. Demorei para entender do que se tratava. Até pensei que fosse um trailer de verdade! Afinal quantos trailers você já viu feitos exatamente assim? Pelo menos os daqueles filmes que você assiste no domingo à noite porque a única locadora aberta por perto era a BlockBuster.

O vído – e muitos outros postados no YouTube – foi realizado pelo Britanick Comedy. O site foi criado em 2007 por dois cidadãos que, como explica o “about”, não queria desperdiçar suas formações acadêmicas com outra coisa a não ser vídeos divertidos. E é que eles se formaram pela super renomada New York University.

Ok, cada um com seus objetivos de vida e sonhos. Quem somos nós para criticar? Ainda mais quando o site tem 500 mil pageviews por mês (segundo o Alexia), quando o vídeo inspira matéria no site da revista Time (imitando a ideia do próprio vídeo) e quando o perfil no YouTube tem espaço de anunciante!


Acabei de ter uma conversa breve mas muito agradável, por telefone, com o Luiz Garrido, um dos maiores retratistas do país, com mais de 800 personagens em seu portfólio segundo suas próprias contas.

Surpresa boa saber que uma imagem familiar desde a minha adolescência beatlemaníaca (essa ai acima) é de autoria dele. Quem diria que 10 anos depois eu estaria ligando para o seu celular e trocando e-mail?

Mais impressionante é comparar a ovação pela foto da americana milionária (pelo menos quando o assunto é dívida e não conta bancária) Annie Leibovitz que registra o casal deitado numa cama em pose nada conservadora. Mal sabem os gringos que Luiz Garrido acompanhou boa parte da famosa Ben-in for Peace, a jornada do casal promovendo a paz em 1969, e teve autorização dos dois para acompanhar seu dia-a-dia em Londres.

As fotos desse período somam mais de 350. Luiz Garrido quase as leiloou em 2008 mas me contou, sem dar detalhes, que preferiu desistir das negociações.  Vender a coleção ainda faz parte dos seus planos, por isso, vá preparando o bolso (quem dera!).


Há bastante tempo eu me dava por satisfeita com minha assinatura digital e com acompanhar notícias nos portaizões. Na sexta-feira resolvi novamente assinar um jornal. Papel, mídia tradicional, tinta nos dedos e vento atrapalhando. Sabe como é?

Vários motivos. Primeiro, a reforma no Estadão. Admito que fiquei curiosa e quis acompanhar essas primeiras semanas de mudança. Depois, ouvi o comentário de um repórter do Portal Exame sobre a cobertura de negócios pelo Estadão – segundo ele, bem melhor do que a da Folha. Terceiro, eu venho ao trabalho de ônibus. Trajeto rápido, mas que poderia ser bem aproveitado com outra coisa além de ouvir The XX. Outra: os jornais brasileiros já perderam 7% da circulação em 2009. Sinto-me uma boa alma ao ajudar com mais uma assinatura este ano. E, por último, uma verdade que pouca gente admite: abrir milhares de abas e dar conta de ler tudo é uma farsa!

E mais: por alguma razão achei que ser retrógrada, abrir a porta de casa logo cedo como os nossos tios-avós e encontrar aquele tomo do qual você consegue selecionar 30% de folhas úteis me forçaria a ler de uma sentada. “É um respeito ao pessoal que faz a entrega de madrugada e ao zelador e passa distribuindo os (poucos) jornais pelo prédio”, pensaria comigo mesma. E mais: se um dia eu pintar o apartamento, posso ter meus próprios jornais para forrar o chão.

Com tudo isso, te pergunto: por que você também não assina um jornal?


Dieta Digital

20Mar10

Uma grande coincidência nesta manhã de sábado. Primeiro, começamos a tentar gestionar, via e-mail, um esquema de carona entre os alunos. Uma hora depois, o Vinícius Barbizani criou – finalmente – o nosso blog.

O rápido brainstorming sobre “qual plataforma usar (você já ouviu isso algumas vezes na sua vida!) para organizar as caronas”. O Mauricio Felicio terminou rápido a discussão: calma, calma. Que tal talvez NENHUMA?

Ontem ouvimos a Martha Gabriel falar de obesidade digital, excesso de ferramentas, redes sociais, aplicativos, gadgets. Acompanhar tudo virou uma necessidade social mais forte do que ter que ir ao churrasco de aniversário do melhor amigo mesmo com dor de cabeça. Seguir, atualizar, ler, clickar e digitar nisso tudo dá sim dor de cabeça. Será mesmo que vamos perder um amigo se fizermos uma dieta digital?

Parece até que o blog é contraditório, vem de encontro à vontade de fazer essa dieta. Na minha opinião, digamos que precisamos continuar comendo proteínas. Acredito que esse blog, espaço para trocar informações úteis e experiências dos 15 dias que passamos longe – e ampliar aqueles ricos 20 minutinhos do intervalo -, seja a proteína.

Usemos e abusemos.

P.S.: Colo um tweet da Marthe Gabriel promovendo o suicídio virtual

Obesidade digital? A Suicide Machine te ajuda a eliminar perfis do mundo 2.0 >>> http://bit.ly/ds9kR1#CulturaDigital




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